Da ideia maluca de um jogo de calçadão brasileiro ao multiplayer assíncrono que tá no ar — stack, decisões e o que aprendemos no caminho.
Trambique S.A. começou com uma pergunta meio óbvia: por que existem mil jogos de tycoon americanos, alguns japoneses, alguns europeus — e quase nenhum brasileiro? Não nenhum traduzido pra português. Nenhum sobre o Brasil.
A resposta provavelmente é: porque mercado de gaming brasileiro é assumido como consumidor de produto importado, não criador. Decidimos testar a hipótese contrária. Este post conta como o jogo foi feito, sem firula.
Você é camelô num calçadão brasileiro. Vira magnata sem perder a piada.
Tudo no jogo deriva dessa frase. A barraca, o fornecedor, a fiscalização, a formalização pra MEI, o mercado clandestino, o time de funcionários — cada mecânica é uma forma de explorar essa fantasia.
A piada não é gratuita. É funcional. Brasileiro reconhece o calçadão, o fiscal, o "vamos resolver na propina", a ironia de virar empresário e descobrir que agora você é o fiscalizado. O humor é o que faz o jogo ser sentido como brasileiro, não só rotulado como.
Versão original do escopo (Q4 2025): "tycoon simples de barraca, single-player, 2 meses pra MVP". Versão atual (Q2 2026): multiplayer assíncrono com economia compartilhada, marketplace P2P, ranking global, 7+ meses de desenvolvimento.
O que mudou: assim que tivemos o ciclo de jogo rodando, ficou óbvio que solo era subutilizar o motor. Se o mercado é simulado por curva matemática, todo jogador joga contra a mesma curva — fica idle game. Se o mercado é compartilhado entre jogadores reais, as decisões dos outros afetam as suas. Aí vira jogo.
Custo: 5 meses a mais de dev. Benefício: jogo onde "comprei caro porque o vizinho lotou de estoque" é uma frase real.
A pergunta mais comum quando o jogo é brasileiro: feito com o quê?
O ciclo do jogo (processamento de vendas, custos, eventos por hora pra todos os jogadores) é o que mais nos consumiu. Tem que ser idempotente — se o cron roda duas vezes, não pode duplicar lucro. Resolvemos com cycleNumber global derivado do timestamp + unique constraint no banco.
Quase fizemos PvP real-time. Saímos disso quando percebemos que o público alvo (brasileiro casual, 5-15 min por sessão) não quer competir sincronamente. Multiplayer assíncrono respeita o tempo do jogador — você toma decisão hoje, vê resultado amanhã, e o ranking continua relevante.
Errado. Beta aberto é o que gera dados de calibragem. Decidimos lançar com economia funcional mas não polida e ajustar com telemetria real. Streak timeout subiu de 30s pra 90s. Custo de café subiu de R$ 10 pra R$ 15. Tudo baseado em dado de jogador, não chute.
Errado de novo. Trambique tem identidade visual carregada — tipografia editorial, texturas de papel, ícones que parecem stamps. Decidimos fazer o jogo parecer um jornal de rua / receipt de impressora térmica, não um dashboard SaaS. Cada elemento da UI tem caráter. Não é minimal — é autoral.
Brasil é mercado, não nicho. A reação de quem joga 10 minutos e percebe a fantasia "ah, é o calçadão, é a propina, é o fiscal" é diferente da reação de jogar mais um tycoon genérico. Tem fome de produto cultural próprio.
Multiplayer assíncrono é cheat code. Você pega profundidade de MMO sem a fricção de exigir sessão sincronizada. Quem tem 10 min disponíveis joga 10 min. Quem tem 2 horas joga 2 horas. Os dois progridem.
Beta aberto cedo > beta fechado polido. Cada dia de telemetria real vale mais que uma semana de chute interno sobre o que o jogador vai fazer.
Conteúdo é distribuição. Este blog que você tá lendo agora — não é decoração. É como o jogo vai chegar em quem ainda não conhece. SEO + conteúdo de qualidade é o canal que sobra quando você não tem orçamento de marketing pago.
Próximos blocos no roadmap:
reputationMultiplier que já existe no engine mas tá adormecido.Cronograma loose. Beta enxuto é prioridade até a calibragem estabilizar.
Joga o jogo, manda feedback no Suporte (dentro do jogo, em Configurações), reporta bug, sugere mecânica. Pelo que vimos até agora, a comunidade tá moldando o jogo mais que o roadmap interno. Quem joga agora calibra o que o jogo vai ser.
Joga grátis em trambique.app/cadastro. Sem cartão, sem download, sem nada. Sessão de 10 minutos já entrega o loop completo.
Trambique é open source? Não. Mas o blog (que você tá lendo) tem conteúdo aberto, e o roadmap é público dentro do jogo.
Quem fez o Trambique? Time pequeno, brasileiro, com background em produto e engenharia. Detalhes pessoais ficam pra outro post — esse é sobre o jogo.
Quando sai do beta? Sem data. Beta sai quando a calibragem da economia tiver estabilizado por 30 dias consecutivos sem ajuste manual.
Vai ter app mobile? O site já é responsivo e funciona bem no mobile. App nativo não está no roadmap próximo — preferimos investir em mecânica do jogo.
Vai monetizar? Eventualmente sim. Modelo de monetização sob estudo, mas a regra forte é: nunca pay-to-win. Cosmético, conveniência, conteúdo extra — sim. Avanço comprado — não.